Terça-feira, 20 de Maio de 2008

VIVER SEM VIDA

Existe momento na vida, que não dá mais para brincar

VIVER SEM VIDA

Agora sim percebo porque não consigo vender camisetas que pinto, porque não consigo patrocínio para o que escrevo, porque estou totalmente fora do mercado de trabalho, porque não convivo com quem quer que seja no plano pessoal, presente, físico.

Percebo que não vivo.

Se não vivo, não convivo. Se não convivo, não estou ativo, em atividade.

A vida que tenho e trago brada em mim busca insana pela beira do mar, porque cá onde estou, é justo onde não estou.

Se fui entrega sem medida, perdi noção de reconhecimento. Permiti que meu viver fosse levado para mundo outro.

Hoje, o que sinto é saudade de mim. E já sem ter como ir para onde preciso ir, perco-me pelo desvario deste viver sem vida.

Belo Horizonte, 20 maio 2008

NO FUTEBOL DA BOLA

Na área um ponto

Uma marca inocente

Quase que imperceptível

Esquecida em seu espaço.

Na área a bola

Na marca do pênalti

Ameaçador e capaz mesmo

De dar a ela o rumo do gol.

Na área o jogador

Que quer da bola

Chegar ao gol.

Na área a bola

Que quer do gol

Chegar ao goleiro.

Belo Horizonte, 07 julho 1998

Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

GRUSSAÍ DA CHRISTINA

Este texto surge de telefonema que recebi do primo Gervásio que a mim transmitiu intenção da Excelentíssima Prefeita Municipal de São João da Barra, Carla Machado, em propor ao Poder Legislativo Municipal homenagem póstuma do Município, mais especificamente do Distrito de Grussaí, cuja intenção é a de dar nome da minha irmã Christina Maria Cordeiro de Almeida Araújo, a prédio que deverá servir como Centro de Turismo Municipal.

Em meu nome, bem como de toda família, manifesto gratidão pelo carinho manifestado pelos habitantes de São João da Barra, devidamente representados pela Exma. Prefeita e pelo Exmo. Presidente da Câmara de Vereadores, à memória da minha irmã e, por consequência, do meu cunhado Sanzio e prima irmã Luciana.

GRUSSAÍ DA CHRISTINA

Podemos supor que Grussaí não nasceu para Christina, mas não podemos daí pensar que Christina não nasceu para Grussaí.

A filha irmã esposa nora cunhada mãe sogra avó tia prima e fiel amiga Christina, não escondeu e tratou sim de escancarar sua incontestável paixão por Grussaí. A menina que passava férias escolares em Grussaí cresceu e aprendeu a traduzir em si amor que desencadeou pela praia, pelo lugar e pelas pessoas deste que era o seu mundo. Na noite que veio a ser a última de sua vida, na casa onde um dia queria morar, disse que gostaria de ser sepultada próxima dali. No dia seguinte, por ocasião do que talvez tenha sido o mais grave acidente automobilístico ocorrido na Avenida Atlântica, em Grussaí, Christina Maria Cordeiro de Almeida Araújo morreu com seu marido Sanzio e sua prima irmã Luciana.

Era Sexta-Feira da Paixão de Cristo, 21 de março de 2008.

Da última conversa com minha irmã Christina, por telefone, ela queria que eu, de Belo Horizonte, adivinhasse onde estava. Era meio-dia, quinta-feira que antecedeu à tragédia. Lógico que estava na praia. Disse-me então que o tempo estava nublado, o mar meio bravo e que estava sim na praia – porque você sabe que eu amo este lugar! E repetiu: - Eu amo este lugar!

Esta foi a última exclamação que ouvi da minha irmã.

Podemos supor tudo. Podemos pensar e concluir. Podemos projetar e eleger o que em nós estampa a vida. Por isso posso afirmar o que aqui digo.

Quem conheceu Christina, conheceu Grussaí.

Quem não conheceu Christina, poderá conhece-la agora pelo tanto amor por ela dedicado a esta Grussaí, que do mar eterniza em ondas memória do seu viver.

Belo Horizonte, 19 maio 2008

Em face da importância deste texto, limito publicação de hoje a ele.

Grato pela compreensão.

Domingo, 18 de Maio de 2008

O MAR DE NOVO

Quero ir embora para o mar

O MAR DE NOVO

Existem momentos em que tenho a nítida sensação de que tal como penso no mar, ele pensas em mim. O que é muito estranho porque não sei se o mar pensa e se pensa não sei em que pensa. Mas sei que em meu pensamento passa pensamento assim e ao invés de confuso fico sinceramente confortado. É que percebo esta enorme sintonia entre nós.

Aliás, posso dizer, sem qualquer dúvida, que se tem alguém que não afoga minha vida, este alguém é o mar.

Belo Horizonte, 18 maio 2008

SOMANDO

Sempre ouvi dizer que “lambari é pescado e jogo é jogado”. O Brasil nas semifinais da Copa do Mundo da França, continua apto a conquistar o seu quinto título mundial.

Com quatro artilheiros, o Brasil na França chega a treze gols. Do número treze, se somarmos um mais três, chegaremos ao quatro.

No Brasil, o jogo contra a Holanda, está marcado para as quatro horas da tarde.

Sete de julho. Mês sete. Sete mais sete, quatorze. Um mais quatro, cinco. E o Brasil buscando o penta-campeonato.

Belo Horizonte, 06 julho 1998

Sábado, 17 de Maio de 2008

CÃO DA PRAIA

Toda lembrança minha está no mar

CÃO DA PRAIA

Quando pela manhã passeava pela praia, deparei com aquele cão grande, pardo, manso, sem raça definida. Fez gesto de aproximação, chamei e ele seguiu-me. Andamos um bocado, até naquela ponta onde surge enorme parede de pedra terra vermelha, maravilha da natureza. Avançar mais era impossível porque o mar vinha e batia num verdadeiro muro de pedra.

No pensar de suave rebentação, cachorro ali comigo à espera de atitude. Breve descanso e retornamos, ele à frente. Parecia velho parceiro. Lembrei-me do cão Aleph.

De lá vinha moça passos ágeis, nova na idade. Cão mudou rumo passou a segui-la. Cruzou comigo, mais afastado. Mesmo agora ao lembrar disso, não sei se aquele animal é dela que nunca mais vi.

Belo Horizonte, 17 maio 2008

O PERSEGUIDO

Ronaldinho queria aquele gol, porque precisava daquele gol. Por um instante, tudo parecia confuso. A euforia do adversário insistia em não assimilar o rigor da derrota. As bolas na trave renunciavam a insistência da vontade. Até que veio o gol.

Ronaldinho na dimensão do artilheiro, trazia consigo a felicidade de um encontro tão perseguido. O gol estava ali realizado, concluído, conquistado.

Da transpiração, o sentimento vivo do alívio respirado pelo coração. Ronaldinho veio livre de todos os pesos, solto, veloz, atento e convicto.

O Chile já não tinha mais o que fazer. Quatro a um para o Brasil.

Belo Horizonte, 03 julho 1998

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

ANO ONZE

Existem momentos em que é preciso esperar que o dia passe para que dele tenhamos resposta
ANO ONZE
Passou primeiro de maio e eu possuído por turbilhão de coisas nem dei muita confiança a ele. Eu estava na praia, primeira ida minha à Bahia, sob a benção de Cumuruxatiba.
Fato é que em primeiro de maio os Folhetos Cadinho RoCo completaram dez anos de existência distribuição. Agora, já no seu décimo primeiro ano de vida ele segue firme em sua trajetória e com singular novidade. É que em cada camiseta que pinto eis que junto segue exemplar dos folhetos. O que amplia seu horizonte de distribuição assim ida até onde nem consigo ir. O que é ótimo, porque se tem algo que gosto de fazer é quebrar distância. E para os mais distraídos, com a distribuição ampliada os folhetos agem com mais eficácia em favor de quem se empenhe em patrocina-los.
Belo Horizonte, 16 maio 2008
MISTÉRIO DA COPA
O jogo vai além campo. Aí o perigo. Há de se pensar nisso. O convívio com o resultado do jogo já acontecido e do que está por acontecer.
Entre sabores tantos, o amargo da derrota bem próxima do da vitória.
A possibilidade do gol diante do gol impossível, exige mais que simplesmente pretender. O galope do tempo no campo do jogo, pede jogadas traduzidas por alguma singular antecedência.
A Copa do Mundo no desafio de um tempo que tanto poderá ser breve quanto longo. O jogo da Copa, no mistério de cada partida.
Belo Horizonte, 26 junho 1998

Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

SÓ PODE SER ISSO

Sem mais conversa, para conhecer camisetas que pinto é só ir às Dicas nesta página e clicar em Camisetas Personalizadas que a página exposição abrirá

SÓ PODE SER ISSO

Contas a pagar, muitas contas.

Camisetas à venda, muitas camisetas.

Problema é o enorme desajuste entre débitos e créditos. Se não há venda não há pagamento e se não há pagamento a cobrança continua sempre e cada vez mais severa.

Pergunto a mim mesmo o que faço aqui. Lugar estranho e sem qualquer perspectiva. Minha mais singular conclusão é a de que em Belo Horizonte todos estão falidos, quebrados, desprovidos. O interessante é perceber tanta ostentação para tanta gente que então diz estar num aperto só. Se não são loucos o que serão?

Quero ir embora daqui para beira do mar, de preferência lugar simples em que as pessoas assumem suas posturas sem qualquer preocupação.

Já escrevi isto antes e volto a ser provocado a escrever.

Belo Horizonte é um lugar de mentira.

Belo Horizonte, 15 maio 2008

QUATRO MINUTOS

Quando a Seleção Brasileira fez sua estréia na Copa do Mundo, na França, não foi preciso mais que quatro minutos para chegar à conclusão do gol. No seu segundo jogo, aqueles quatro minutos permaneciam vivos na lembrança. Mas, foi só no segundo tempo que os quatro minutos surgiram sob a euforia do gol. Lá estava o Bebeto para conferir. O mesmo Bebeto que parecia tão afastado do gol. O mesmo Bebeto inserido a discussões tantas verificadas pelo ceticismo das mais diversas opiniões.

O Brasil ganhou o jogo contra Marrocos, por três a zero. O terceiro gol, vindo de Bebeto, que acreditou nos quatro minutos entregues ao instante rápido de um lance fatal.

Belo Horizonte, 22 junho 1998

Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

DOIS DIAS DEPOIS

Quando acontece coisa assim fico espantado.

A propósito, favor considerar possibilidade de presentear namorado(a) com as camisetas que ofereço lá na página Camisetas Personalizadas, cujo acesso é só clicar ali nas Dicas desta página. Tudo fácil, muito fácil de ser feito e barato.

DOIS DIAS DEPOIS

Para minha mais completa surpresa, eis que Benjamim apareceu.

Dia desses, em conversa com Ricardo, perguntei se ele tinha notícia do Benjamim, que eu não via, sei lá, há mais de cinco anos, com certeza. Ricardo não soube dizer sobre ele. Dois dias depois, a aparição.

Estava eu no Mercado Central, lugar que vou habitualmente. Alguém chama por meu nome e quando então busco procuro a voz, eis que bem diante dos meus olhos deparo com o Benjamim. Conversa boa, carinho antigo e ele cansado de Belo Horizonte, como eu. Anunciou partida para o Serro, fazenda da família. Foge desta Belo Horizonte confusa e sem perspectiva para ele e para mim também.

Quero ir para o mar, é tudo que tenho a dizer.

Belo Horizonte, 14 maio 2008

GOL DO TROMBONE

Na música do futebol

O acorde afinado

Do gol marcado

À luz do sol.

No futebol da música

A velocidade do compasso

No ritmo do passo

Que vai e que fica.

Gol do César Sampaio

No trombone do Sampaio

Olhar de soslaio.

Carinho por carinho

Do futebol adivinho

Novo motivo para um chorinho.

Belo Horizonte, 15 junho 1998